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segunda-feira, 25 de maio de 2015

ÁGUAS CINZENTAS, NÉCTAR DE PLANTAS?

Discussão, Constrangimentos e Conclusão de Resultados Experimentais
e
Influências nas aprendizagens


Para começar gostaríamos de informar que dado o tempo limitado para a concretização deste projeto científico, não podemos tirar conclusões rigorosas sobre a influência das águas cinzentas no crescimento de plantas.

Provavelmente o nosso maior constrangimento foi na gestão do tempo. Se pudéssemos voltar atrás provavelmente não teríamos começado pela germinação de sementes e teríamos iniciado a experiência com plantas prontas a plantar. Esta crítica deve-se ao tempo excessivo gasto na formação de plântulas e no seu desenvolvimento. Como ainda estava muito frio na época do ano em que iniciámos a atividade experimental, as plântulas demoraram muito tempo a germinar.
Contudo, é de realçar que em termos de aprendizagens foi muito enriquecedor para os alunos, pois deste modo seguiram o desenvolvimento das sementes e das plântulas. Ainda puderam constatar que a temperatura é um fator abiótico importantíssimo para as plantas.

Nas variáveis independentes poderíamos ter criado mais dois grupos de plantas a germinarem em concentrações diferentes de águas cinzentas, não nos limitando apenas aos 100%, 50%, 25% e 10% de concentração.
Há que realçar aqui que a produção de soluções a diferentes concentrações de águas cinzentas foi muito importante para as aprendizagens dos alunos.

O grande crescimento do caule e da raiz registado no grupo V, permite-nos responder levianamente que as águas cinzentas são realmente um néctar para as plantas. Porém, este desenvolvimento também pode estar relacionado com uma "defesa das plantas". Estas, poderão ter crescido muito em águas cinzentas em resultado de um estímulo, de modo a "procurar" nutrientes para poderem crescer.
Para os alunos a tentativa de procurar explicações para os resultados revelou-se positivo, pois cultivou neles a curiosidade científica.

A contagem do nº de folhas foi uma variável dependente pouco precisa, pois tivemos que podar os tomateiros duas vezes. Por isso, aquando da contagem semanal, o nº de folhas não aumentava conforme o esperado.
Porém, há que informar que a poda, eliminação das folhas e dos ramos mais velhos, foi útil para a aprendizagem dos alunos. Alguns já conheciam a técnica, mas a maioria não.

A utilização de culturas hidropónicas foi fundamental para testar o efeito das águas cinzentas no desenvolvimento das plantas. Com este tipo de culturas eliminámos outras variáveis, pois o solo contém sempre sais minerais que poderiam alterar os resultados experimentais. As culturas hidropónicas também facilitam na observação de resultados, nomeadamente o desenvolvimento das raízes.
O único constrangimento relacionado com as culturas hidropónicas foi a desidratação das plantas. Como as raízes estavam tapadas com papel de alumínio, para protegê-las da radiação solar, não nos apercebemos que uma das plantas tinha apenas a extremidade da raiz dentro de água. Por isso, quase morreu.
Os alunos não conheciam as culturas hidropónicas, nem a vantagem de as utilizar neste tipo de atividades experimentais. Com este tipo de culturas observaram a evapotranspiração das plantas e a contribuição destas no funcionamento do ciclo da água e do clima.

Para concluir, não podemos afirmar com certeza absoluta que as águas cinzentas em culturas hidropónicas são um néctar de plantas. Contudo, verificámos que as plantas não só sobrevivem, como se desenvolvem perfeitamente na presença deste tipo de águas residuais.
Todavia cremos que as águas cinzentas diluídas são um néctar para as plantas em culturas de solo. Por isso, estamos motivados em concorrer para o ano ao Projeto para a Ciência Ilídio Pinho com o mesmo tipo de experiência, mas testando novamente as águas cinzentas.
A experiência iniciada este ano letivo poderá assim continuar para o ano. Podermos continuar a relatar no BLOG todas as nossas aprendizagens e permitir que mais pessoas consultem o nosso trabalho.
Este projeto teve um grande impacto nos alunos e restante comunidade escolar. Acredito que daqui para a frente mais pessoas testarão/utilizarão as águas domésticas residuais nos seus jardins e nas suas hortas.





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